sábado, 18 de agosto de 2007

Onde estivestes de noite

Eu pensava que o conto se chamava «onde estiveste de noite» e é assim que está na folha de guarda, na ficha técnica e no índice do livro editado em Portugal pela Relógio de Água, que toma como título precisamente o nome deste conto.
Só ontem dei conta que na capa, tal como na edição brasileira, o nome surge na forma plural «Onde Estivestes De Noite». Perplexo, li singularmente o conto, uma história estupefaciente, vivida numa noite de «possibilidade excepcional», orgiática, exclamativa de sensações em uivo, em que «ninguém podia viver no tempo, o tempo era indirecto e por sua própria natureza sempre inalcançável», dança ritual de estranhezas, a magia negra e a supersensação, o sexo puro, entumescente de gozo e líquido de efeitos até à abjecção final do resultado.
Terminei a leitura ia alta a madrugada. Compreendi, solitário, o plural da capa, o mundo dos outros, a noite das fantasias.
Atenção: no título não falta um ponto de interrogação, é um texto de verdades oníricas, pecadas em pensamento, não de elucubrações frustradas, de indolente substituição.

4 comentários:

Luiza disse...

Um blog dedicado a Clarice é muito especial, continue...adorei! bj

Cinza disse...

Sabe tão bem percebermos essa sede dentro de nós..
Cumprimentos lispectorianos...

André disse...

Caro dr.

no seguimento do simpático comentário que colocou na GLQL, cá estou eu a ler este seu blog, que não conhecia.

Parabéns pelo conteúdo e pela forma. Conto, em próximos posts que publicarei na Loja sobre Clarice, falar sobre este blog.

Cumprimentos
'André' da Grande Loja do Queijo Limiano

isabel victor disse...

«ninguém podia viver no tempo, o tempo era indirecto e por sua própria natureza sempre inalcançável»

Fabuloso.
Citações lispectorianas
e escrita em volta

tudo.