domingo, 3 de maio de 2009

O caminho da cólera

Impossível não ler muito devagar, não ficar ofegante pelo respirar tumultuoso dos sentidos que esta escrita desperta. «Não era ódio - era uma amor ao contrário, e ironia, como se ambos desprezassem a mesma coisa», sente o homem que é Martim e a mulher de quem não sei ainda o nome. «E porque aquele homem parecia não querer nunca mais usar o pensamento nem para combater outro pensamento - foi fisicamente que de súbito se rebelou em cólera, agora que enfim aprendera o caminho da cólera». Foram mais umas folhas apenas, esta amanhã, não páginas abstractas de uma literatura feita de letras, mas pedaços arrancados ao imaculado desejo de ler. Ao regressar, o jardim das roseiras olhou-me, recatadamente intrigado, murmurando um olá.

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