domingo, 10 de abril de 2011

A epifania e o seu eco

Não importa quanto tempo levamos a ler um livro nem se interrompemos a leitura, como quem passeia e se senta em cima de uma pedra ou decide adormecer num momento da viagem. Não importa se não lemos todos os livros que há para ler, nem se somos ignorantes em relação aos "incontornáveis" como dizem alguns ditadores do gosto e tiranos da erudição obrigatória.
Nunca me dei mal com a ignorância própria, apenas com a estupidez alheia.
Retomei ontem a leitura da biografia de Clarice Lispector, escrita por Benjamim Moser, a menina ucraniana judia pobre que neste momento está em Nápoles é mulher de diplomata e vai no seu segundo livro.
Ao sucesso do primeiro livro sucedeu o azar do segundo. A escrita confundiu-se, o nome de cada palavra passou a ser a palavra em si e o seu símbolo, a vida a busca para a palavra ignota, em oração permanente para que a epifania ecoe no indizível.
A foto foi tirada quando de uma visita ao Vesúvio. Sem que ela o saiba está nela o símbolo de um casamento que se arruinaria. Olhando com desconsolada tristeza para o que ficou é a melhor expressão do mundo que nunca poderia ter sido. Daí que a sua escrita seja a de um amor desesperado.

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